sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Porque Deus Permite o Sofrimento

1. O Sofrimento e a Liberdade de Escolha: Pais amorosos anseiam por proteger seus filhos da dor desnecessária. Mas os pais que são sábios conhecem o perigo da proteção excessiva. Eles sabem que a liberdade de escolha jaz do coração do que significa o ser humano, e que um mundo sem escolha seria pior do que um mundo sem dor. Pior ainda seria um mundo cheio de gente que poderia fazer escolhas erradas sem sofrer qualquer dor. Ninguém é mais perigoso do que o mentiroso, o ladrão ou o assassino que não sente o mal que está causando a si e aos outros (Gn. 2. 15-17).

2. A Dor Nos Avisa do Perigo: Odiamos a dor principalmente naqueles que amamos. Mas sem o desconforto o doente não procuraria o médico. Os corpos exaustos não buscariam o descanso, os criminosos não temeriam a Lei, os filhos ririam da correção. Sem as dores da inconsciência, a insatisfação diária do tédio ou o anseio vazio pela importância, as pessoas que foram feitas para encontrar satisfação em um Pai Eterno, se contentariam com muito menos que isso. O exemplo de Salomão, seduzido pelo prazer e instruído por suas dores, nos mostra que mesmo os sábios entre nós tendem a se desviar do bem de Deus, até serem aprisionados pela dor resultante das próprias escolhas limitadas.

3. As Dores e as Coisas Ocultas do Coração:
O sofrimento é sempre provocado pelas mãos dos outros, mas ele tem um modo de revelar o que está em nossos próprios corações. A capacidade para amar, ter misericórdia, irar, invejar e orgulhar jazem latentes até serem despertadas pelas circunstâncias. Força e fraqueza de coração não são encontradas quando tudo está indo do nosso jeito, mas sim quando chamas de sofrimento e tentação provam o valor do nosso caráter. Assim como o ouro e a prata são refinados pelo fogo, e carvão precisa de tempo e pressão para se tornar um diamante, assim o coração humano é revelado e desenvolvido por suportar a pressão e o calor do tempo e das circunstâncias. A força de caráter é revelada não quando tudo está bem, mas na presença da dor e do sofrimento humano.

4. A Dor e as Divisas da Eternidade:
Se a morte é o fim de tudo, então uma vida cheia de sofrimento não é justa. Mas se o fim dessa vida nos leva ao começo da eternidade, então as pessoas mais afortunadas no universo são aquelas que descobrem, através do sofrimento, que esta vida não é tudo o que temos para viver. Aqueles que encontram a si mesmos e ao Deus eterno através do sofrimento não desperdiçaram suas dores. Eles permitiriam que sua pobreza, tristeza e fome os conduzisse ao Senhor da eternidade. Esses são os que hão de descobrir para sua alegria infindável porque Jesus disse: “Bem aventurado são os pobres de espírito, porque deles é o Reino de céus.”

5. A Dor Nos Desprende Dessa Vida:
Com o tempo, nosso trabalho e nossas opiniões são menos e menos procuradas. Nossos corpos começam a piorar com o desgaste e pouco a pouco caem num desuso inevitável. As juntas endurecem e doem, os olhos escurecem, a digestão fica lenta, o sono se torna difícil, os problemas aumentam e as opiniões diminuem. Mas, se a morte não é o fim, mas apenas o começo de um novo dia, então a maldição da idade avançada também é uma benção. Cada nova dor torna este mundo menos convidativo e a próxima vida mais atraente. A seu modo, a dor prepara o caminho para uma partida maravilhosa.

6. A Dor e a Nossa Confiança em Deus:
O mais famoso sofredor de todos os tempos foi um homem chamado Jó. Ele perdeu seus filhos no vento e no fogo, seus bens num ataque inimigo e sua saúde nos tumores dolorosos. Diante de tudo isso, Deus não disse a Jó porque isso estava acontecendo. Enquanto Jó rebateu as acusações dos seus amigos, o céu permaneceu silencioso. Quando Deus finalmente falou, Ele não revelou que o Seu mais antigo inimigo, Satanás, havia desafiado os motivos de Jó em servir a Deus. O Senhor também não pediu desculpas por permitir que Satanás testasse a devoção de Jó. Pelo contrário, Deus falou sobre as cabras monteses dando à luz, filhotes de leão caçando, corvos no ninho, as largas passadas do cavalo, as maravilhas dos céus, os segredos do mar e o ciclo das estações. Jó pode concluir que se Deus tinha poder e sabedoria para criar este universo físico, havia razão para se confiar nesse mesmo Deus nos tempos de sofrimento.

7. Deus Sofre Junto Conosco:
Ninguém tem sofrido mais do que nosso Pai no céu. Ninguém tem pago um preço maior por permitir que o pecado entrasse no mundo. Ninguém tem sofrido tão continuamente por causa da dor de uma raça arruinada. Ninguém tem sofrido como Aquele, que pagou por nossos pecados no corpo crucificado do Seu Próprio Filho, do que Aquele que, quando estendeu seus braços e morreu, nos revelou o quanto nos ama. É este Deus que, ao nos atrair a si mesmo, nos pede para confiar nele quando estamos sofrendo e quando aqueles que não são mui queridos choram em nossa presença. (1 Pd. 2.21; 3.18; 4.1)

8. O Conforto de Deus é Maior Que a Dor:
O apóstolo Paulo implorou ao Senhor que tirasse uma fonte não identificada de sofrimento. Mas o Senhor recusou dizendo: “Minha graça é suficiente para ti, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” Ao que Paulo respondeu: “Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas minhas fraquezas, nas injurias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte” (2 Co. 12.9,10). Paulo aprendeu que ele preferia estar com Cristo no sofrimento do que sem Cristo na saúde e circunstâncias agradáveis.

9. A Dor nos Aproxima dos Outros:
Ninguém escolheria dor e sofrimento, mas quando não há escolha, resta alguma consolação. Os desastres naturais e os tempos de crise têm uma forma de nos reunir. Furacões, incêndios, terremotos nos conduzem à nossa sensibilidade. Repentinamente nos lembramos da nossa própria mortalidade e que as pessoas são mais importantes que coisas, que precisamos uns dos outros, e acima de tudo, precisamos de Deus. Cada vez que descobrimos o conforto de Deus, em nosso sofrimento, nossa capacidade de ajudar os outros é aumentada. Isso Paulo tinha em mente ao escrever. “... Pai das misericórdias e Deus de toda consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para que possamos confortar aqueles que são atribulados, com o consolo que nós somos consolados por Deus”. (2 Co. 1.3-4).

10. Deus Transforma o Sofrimento em Bem:
Essa verdade pode ser melhor vista em muitos exemplos da Bíblia. Através do sofrimento de Jó, podemos ver um homem que não apenas teve um conhecimento mais profundo de Deus, mas tse tornou numa fonte de encorajamento para todas as gerações vindouras. José foi rejeitado, traído, vendido como escravo aprisionado injustamente. Nele vemos alguém que pode dizer aos que o feriram: “Vós intentaste mal contra mim... . Deus o transformou em bem” (Gn. 50.20). Quando tudo em nós grita contra os céus por permitir o sofrimento, temos motivo para considerar o resultado e alegria eterna de Jesus, o Qual em Seu próprio sofrimento na cruz de um condenado, clamou: “Deus meu, Deus meu, por que Me desamparaste?” (Mt 27.16).

Se a deslealdade e o sofrimento da vida não te deixam aceitar que um Deus no céu Se preocupa com você, considere o sofrimento dAquele que o Isaías chamou de “Homem de dores e experimentado nos sofrimentos” (53.3). Pense em suas costas dilaceradas, Sua fronte ensangüentada, Suas mãos e pés perfurados pelos cravos, Seu lado rasgado, Sua agonia no Getsêmane e no Seu grito de abandono. Considere que ele declarou que não estava sofrendo por seus pecados, mas pelos nossos. Para nos dar o direito de escolher, Ele nos deixa sofrer. Mas Ele mesmo carregou a dor e penalidade final por todos os nossos pecados (2 Co. 5.21; 1Pd. 2.24).

Texto selecionado pelo irmão Delcio Meireles

domingo, 29 de agosto de 2010

Os desapontamentos da vida

“Fui Eu que Fiz isto”
(1 Reis 12:24)

Os desapontamentos da vida são na realidade apenas determinações do meu amor. Tenho uma mensagem para ti hoje, meu filho. Vou segredá-la suavemente ao teu ouvido, a fim de que as nuvens anunciadoras da tempestade, quando aparecerem, sejam douradas de glória, e para que os espinhos, que porventura cerquem o teu caminho, sejam afastados. A mensagem é curta – uma simples frase, mas deixa que entre no fundo do teu coração e que seja para ti como almofada onde possas descansar a tua cabeça fatigada:

FUI EU QUE FIZ ISSO”
* Você nunca imaginou que tudo o que te diz respeito, diz respeito a Mim Também? “Porque aquele que tocar em vós toca na menina do Meu olho” (Zc 2:8). Você é precioso para mim, e é por isso que me interesso especialmente pelo seu crescimento espiritual. Quando a tentação te assalta e o inimigo “vem como uma inundação”, quero que você saiba que “isto vem de mim”. Eu sou o Deus das circunstâncias. Você não foi colocado onde está por acaso, e sim porque este é o lugar que escolhi para você. Você não pediu para ser humilde? Saiba que o lugar onde você está é o único onde poderás aprender bem esta lição. É por intermédio de tudo quanto te rodeia e até dos que te cercam que a Minha vontade em você se cumprirá. Você tem dificuldades monetárias? Custa-te viver com o que tens? “Eu é que fiz isto”. Porque Eu possuo todas as coisas. Quero que recebas tudo, e que dependas inteiramente de Mim. As minhas riquezas são ilimitadas (Fl 4:19). Prova-me para que se não diga a teu respeito: “Contudo, não creu no Senhor seu Deus”.


* Você está passando pela noite escura da aflição? “Eu fiz isto”. Deixei-te sem qualquer auxílio humano para que ao voltares para Mim, encontres consolação eterna (2 Tess 2.16,17).

* Você está desiludido com algum amigo em quem você confiou? “Fui Eu que Fiz isto”. Permiti esse desapontamento para que você pudesse aprender que Eu, Jesus, sou o teu melhor Amigo. Eu te livro de cair, combato as tuas lutas. Anseio por ser o seu confidente.

* Alguém disse coisas falsas sobre você? Não fique preocupado; vem para mais perto de Mim, debaixo das minhas asas, longe de qualquer troca de palavras, porque “Eu farei sobressair a tua justiça como a luz e o teu juízo como o meio dia” (Salmo 37:6). Onde estão os teus planos? Você se sente esmagado e abatido? “Fui Eu que fiz isto”. Não foi você quem fez os seus planos, e depois Me pediu para abençoá-los? Eu quero fazer os teus planos. Eu quero assumir toda a responsabilidade, porque ela é pesada demais e você não poderia realizá-la sozinho (Êx 18:18).

* Você já desejou alguma vez fazer qualquer coisa de grande importância no teu trabalho por Mim? E, em vez disto foi posto de parte, talvez num leito de dor e sofrimento? “Fui Eu que fiz isto”. Não podia prender a tua atenção doutra forma, enquanto estavas tão ativo. Desejo ensinar-te algumas das Minhas lições mais profundas. Somente aqueles que aprenderam esperar pacientemente é que podem Me servir. Os Meus melhores trabalhadores são, às vezes, aqueles que estão fora do serviço ativo, pois assim eles podem aprender a manejar melhor a arma que se chama Oração.

* Foste chamado de repente a ocupar uma posição difícil, cheia de responsabilidade? Vai, conta Comigo! Dou-te esta posição, cheia de dificuldades, porque “O Senhor teu Deus, te abençoará em tudo quanto fizeres” (Dt 15:18).

* Ponho hoje nas tuas mãos o vaso de óleo santo. Tira tudo quanto quiseres meu filho, para que todas as circunstâncias que possam levantar-se diante dos teus pés, cada palavra que te magoe, qualquer coisa que prove a tua paciência, cada manifestação da tua fraqueza, sejam ungidas com este óleo santo. Não esqueça que, interrupções são instruções divinas. A dor que você sofrer será na medida em que você Me enxergar em todas as coisas. Portanto, aplica o teu coração a todas as palavras que hoje testifico entre vós, ”Porque elas são a vossa vida” (Dt 32:46,47).

Este manuscrito foi achado na Bíblia de John Nelson Darby, depois do seu falecimento.

Extrído do site www.delciomeireles.com

Como desenvolver o fruto do Espirito?

Gl 5:22 "Mas o fruto do espírito é: caridade, (Gr. ágapéi: amor divino em ação) gozo (alegria, satisfação), paz, longanimidade (paciência, tolerância), benignidade (gentileza, consideração), bondade (desejo de ajudar), (fidelidade), mansidão (brandura), temperança (domínio próprio)." Os acréscimos entre parêntese são de termos encontrados em diferentes traduções da Bíblia.

O fruto do espírito é o caráter do cristão revelado em suas múltiplas facetas. Não se trata de "frutos do Espírito", no plural, mas do "fruto do Espírito", no singular. Esse singular pode tanto dar a ideia de totalidade, como usamos em expressões como "o fruto do meu trabalho", e também de algo coeso e integral, como uma fruta que é formada por casca, polpa, sementes, fibras, vitaminas etc. Mesmo assim é uma fruta que tem todas essas coisas se desenvolvendo de forma harmoniosa e simultânea.

Quando um cristão é paciente, mas que não demonstra amor ou temperança, essa paciência pode não ser fruto do Espírito, mas apenas um traço natural de sua personalidade. Você encontra incrédulos ou ateus que podem possuir essas qualidades individuais muito mais acentuadas do que muitos cristãos, mesmo assim são apenas qualidades naturais de caráter, e não o fruto do Espírito.

Um exemplo da multiplicidade de característica de um fruto é o vinho e a descrição que um degustador especializado é capaz de fazer de suas múltiplas qualidades, apesar de ter sido produzido de uma fruta comum, a uva. Se olharmos deste ponto de vista, o fruto do Espírito é o sabor e a fragrância que os outros podem notar no crente.

Para que seja o fruto do Espírito, todas essas características precisam se desenvolver simultaneamente e em conjunto, e não individualmente. Uma fruta, cuja semente ou casca se desenvolvesse mais do que as outras partes, seria uma aberração e acabaria não passando em um teste de qualidade. Quem diz que ama a Deus e odeia a seu irmão não está falando do amor que é fruto do Espírito.

O Senhor Jesus é o exemplo perfeito de um Homem no qual podiam ser encontradas essas múltiplas facetas do fruto do Espírito:

  1. Amor: Ninguém maior amor do que o demonstrado na cruz.
  2. Gozo: Ninguém jamais teve maior gozo ou alegria em fazer a vontade do Pai.
  3. Paz: Você se lembra de como ele dormia no barco enquanto a tempestade rugia?
  4. Longanimidade: Lembra quem disse "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem"?
  5. Benignidade: Quem foi que pediu que deixassem as criancinhas irem a ele, e que disse a todos "Vinde a mim"?
  6. Bondade: Jesus é o próprio samaritano da parábola que ele mesmo contou.
  7. Fé, no sentido de fidelidade: Jesus jamais falhou em atender as expectativas, tanto do Pai como dos que vão a ele.
  8. Mansidão: Ninguém é mais manso e humilde do que aquele que lavou os pés de seus discípulos.
  9. Temperança: O Senhor manteve total controle de si mesmo e submissão ao Pai diante das tentações no deserto.

Procure enxergar o fruto do Espírito como os atributos de Cristo em nós que são produzidos pelo Espírito de Deus. Outro exercício interessante é tentar associar essas qualidades com as que encontramos relacionadas ao amor em 1 Coríntios 13:4-8.

As obras da carne, que afetam diretamente sua manifestação, são relacionadas nos versículos anteriores, como "adultério, prostituição (fornicação, imoralidade), impureza, lascívia (luxúria, libertinagem, indecência), idolatria, feitiçarias (bruxaria, superstição), inimizades (ódio), porfias (pleitos, litígios, brigas, rivalidades), emulações (ciúmes), iras (acessos de raiva), pelejas (rivalidades), dissensões (disputas, discórdias, sedições, divisões), heresias (facções, partidos), invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes" (Gl 5:19-21)

Antes que você considere isso uma lista fechada, não se esqueça dos "coisas semelhantes".

Na passagem "o fruto do Espírito" é apresentado em contraste com as "obras da carne". Obras são coisas produzidas pela energia humana e pela vontade própria, enquanto um fruto é produzido pelo ramo que recebe sua seiva do tronco. A diferença entre uma obra e um fruto é tão grande quanto a diferença entre uma fruta de plástico produzida em uma fábrica e uma fruta cultivada em um pomar. Por maior que seja a semelhança exterior de uma fruta artificial com a verdadeira, ela continua sendo uma obra morta, como são as tentativas do homem religioso de transformar seu caráter pela obediência à Lei de Moisés, que é o contraste que o contexto apresenta aqui.

Neste sentido podemos entender que as obras da carne podem tanto ser as coisas daninhas, que impedem que o fruto do Espírito se manifeste, como também nossos esforços em criarmos um fruto artificial, uma mera aparência da obra do Espírito em nossa vida. Ódio, mau humor, inquietude, intolerância, rejeição, indiferença para com os que sofrem, infidelidade, falta de humildade e de controle próprio são apenas alguns dos traços que se contrapõem ao fruto do Espírito.

Gl 5:16 "Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne".

O fruto do Espírito é cultivado por meio de uma atitude, ou "andar em Espírito", enquanto as obras da carne vêm por meio de uma concessão: dar lugar à carne para que ela se manifeste. É por isso que precisamos beber constantemente da água pura da Palavra de Deus, para que esse fruto do Espírito seja cada vez mais manifesto em nós. Lembre-se de que a fruta artificial precisa de trabalho para ser produzido, mas a verdadeira cresce em função de sua ligação com a fonte da seiva que a alimenta. Quanto maior essa ligação, maior e mais saudável a fruta. Quanto mais essa conexão com o tronco estiver estrangulada por outras coisas, menor e menos evidente é a fruta.

Se o fruto estiver incerto quanto à sua conexão com o tronco, ele não crescerá. A certeza da salvação eterna e da fidelidade de Deus nos salvando em graça são essenciais para que a seiva corra livremente. O fruto do Espírito não pode ser fabricado com nossos esforços. É só a vida de Cristo que pode produzir este fruto.

Autor: Imão Mario Persona
Extraído do site www.respondi.com.br

O Fruto do Espírito - 8ª Parte - TEMPERANÇA

Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gálatas 5:22-23 RA)

Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra essas coisas não há lei.” (Gálatas 5:22-23 RC)


  • TEMPERANÇA/DOMÍNIO PROPRÍO

Chegamos a ultima parte desta serie de estudos onde investigamos o significas das palavras que compõem o Fruto do Esprito conforme Gl 5:22-23. Hoje nos deteremos em investigar sobre a temperança.

Esta ultima parte do fruto do espirito é traduzida geralmente por temperança ou domínio próprio, no grego tata-se do termo “enkrateia” definido pelo Léxico Grego de Strong da seguinte forma:


enkrateia, auto controle (virtude de alguém que domina seus desejos e paixões, esp. seus apetites sensuais)

Já o dicionário Vine nos traz o seguinte:

enkrateia, derivado de kratos, “força”, ocorre em At 24:25; Gl 5:22; 2Pe 1:6(duas vezes), em todo esses textos sendo traduzido por “temperança”; “autocontrole” é a tradução preferível, visto que a “temperança” está limitada a uma forma de autocontrole; as varias capacidades concedidas por Deus ao homem são passáveis de abuso; o uso correto delas exige o poder controlador da vontade sob operação do Espirito de Deus; em At 24:25, a palavra vem depois de “justiça”, o que representa as reivindicações de Deus, sendo o autocontrole a resposta do homem a ela; em 2 Pe 1:6, a palavra vem depois de “ciência”(ou “conhecimento”), sugerindo que o que se aprende deve ser posto em pratica.(Dicionário Vine, CPAD)

Como podemos ver, a temperança ou domínio próprio, consiste no poder de auto dominar-se, não cedendo as nossas próprias paixões ou desejos, esmurando o corpo para que não ame a preguiça, refreando a língua e as ações, controlando as faculdades mentais e emocionais. Temperança é o poder para rejeitar a nossa vontade e fazer a vontade de Deus. Temperança é “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”.

O homem sem Deus apesar de conhecer o bem e o mal(Gn 3:22), é totalmente incapaz de rejeitar o mal e escolher o bem.

Ele(Deus) vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, —pela graça sois salvos,” (Efésios 2:1-5 RA)

Mesmo o cristão, que tem a vida de Deus, pode falhar e não ter domínio próprio. Nós podemos ser escravizados pelo nosso próprio corpo, as vezes pode ser uma tortura acordar cedo para ler a palavra ou orar. Podemos não ter controle sobre a nossa própria língua e falar coisas que depois venhamos a arrepender-nos. Muitas vezes não conseguimos controlar nem nosso próprio pensamento, a mente é um orgão da nossa alma, mais parece que não nos obedece, queremos esquecer algo, mas ela insiste em ficar pensando naquilo. Nós deveríamos controlar nossas emoções, mas parece que elas é que nos controlam, perdemos a calma e nos irritamos como se não tivéssemos um Deus que está no controle de tudo. Muitos de nós não controla nem mesmo o apetite e acabam caindo no pecado de glutonaria.

A maioria dos dos cristãos tem como endereço Romanos capitulo 7:

Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:15-24 RA)

Somente o Espirito Santo pode fazer com que um homem tenha autocontrole.

Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.” (1 Coríntios 6:12 RA)

A temperança é um mandamento para o Cristão:

Porque convém que o bispo seja irrepreensível como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante,” (Tito 1:7-8 RC)

por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade;” (2 Pedro 1:5-6 RA)

Mas como podemos alcançar o domínio próprio? Não poderei te responder, mas creio que o caminho certamente passa por Romanos 9:

Todo atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado.” (1 Coríntios 9:25-27 RA)


Oração: Pai, tenho constantemente falhado em minha carreira, os meus fracassos em viver uma constante comunhão contigo tem sido tantos, que já não suporto mais. Ajuda-me a escolher e conseguir viver para ti, conseguir ter uma vida de oração, conseguir ter amor por tua palavra, viver em intimidade contido e sempre fazer tua vontade. Oh! Pai, socorre-me, preciso de ti, mas não tenho forças nem mesmo de subjugar meus próprios desejos. Oh! Senhor, me mostra o segredo de uma vida vitoriosa, o segredo de viver em Cristo, pois em Cristo somos mais que vencedores. Amém!


Em Cristo,

Solimar Silva e Silva

solimarss@hotmail.com

Bibliografia: Dicionario Vine, Léxico grego de Strong, Biblia Sagrada(versões RA e RC).

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O Fruto do Espirito - 7ª Parte - MANSIDÃO

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gálatas 5:22-23 RA)

“Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra essas coisas não há lei.” (Gálatas 5:22-23 RC)

MANSIDÃO

Chegamos agora a penúltima parte do fruto do Espirito, trata-se da palavra grega “praotes” que é geralmente, no português, por traduzida por mansidão. De todas as traduções e versões que olhei apenas a NTLH traduziu diferente, ela usa a palavra delicadeza.

O léxico grego de Strong define esta palavra da seguinte maneira:

“Gentileza, bondade, humildade. Este termo está fundamentada na mesma idéia de humildade, e vai além dela. É a atitude de mente e o comportamento que, vindo da humildade, dispõe alguém para receber com gentileza e humildade qualquer coisa que venha a ele de outros ou de Deus.”

O dicionario Vine nos dá uma definição mais detalhada, como se segue:

“prautes” ou“praotes”, forma mais antiga , denota “mansidão”. Em seu uso na Escritura, na qual tem um significa mais extenso que nos escritos gregos seculares, não consiste só no “comportamento exterior da pessoas; nem ainda em suas relações para com o próximo; tampouco na sua mera disposição natural. Antes é uma entretecida graça da alma; e cujos exercícios são primeiro e primariamente para com Deus. É o temperamento de espirito no qual aceitamos Seus procedimentos para conosco como bons, e, portanto, sem disputar ou resistir; está relacionado deperto com a palavra tapeinophrosune [humildade], resulta diretamente dela[...] é somente o coração humildade que também é manso, e o qual, como tal, não luta contra Deus e mais ou menos se debate e combate com com Ele. Esta mansidão, porém, sendo em primeiro lugar uma mansidão para com Deus, tambem o é diante dos homens, até de homens maus, proveniente de um senso de que estes, com os insultos e danos que possam inflingir, são permitidos e empregados por Ele para castigo e purificação dos eleitos”(Trench, New Testament Synonyms, § xlii). Em Gl 5:22, está associado com o termo enkrateia, “temperança, autocontrole, autodomínio”.

O significado de proutes “não é expresso prontamente em nosso idioma, pois o termo mansidão, brandura, comumente usado, sugere franqueza e pusilanimidade em maior ou menor extensão, ao passo que prautes não diz nada disso. Não obstante, é difícil encontrar uma tradução, menos aberta á objeção que 'mansidão'; 'gentileza' foi sugerida, mas como prautes descreve uma condição de mente e coração, e visto que 'gentileza' é apropriada preferivelmente para ações, esta palavra não é melhor que a outra. Deve ser entendido claramente que a mansidão manifestada pelo Senhor e recomendada para o crente é o fruto do poder. A suposição comum é de que quando o homem é manso é porque ele não pode se ajudar; mas o Senhor era 'manso' porque Ele tinha os recursos infinitos de Deus à sua disposição. Descrita negativamente, a mansidão é o oposto da arrogância e egoísmo; é a equanimidade que de espirito que não é nem altivo nem deprimido, simplesmente porque não está de modo algum ocupado com o ego”.

“Em 2 Co 10:1, o apóstolo apela para a 'mansidão [...]de cristo'. Os cristãos são incumbidos de mostrar 'toda mansidão para com todos os homens' (Tt 3:2), pois a mansidão fica bem nos 'eleitos de Deus' (Cl 3:12). A essa virtude o 'homem de Deus' é exortado; ele deve seguir a 'mansidão' para o seu próprio bem (1 Tm 6:11), e no serviço, e mais especificamente em seus procedimentos para com os 'ignorantes e errados', ele deve exibir um 'espirito de mansidão'(1 Co 4;21; Gl 6:1); mesmo 'os que resistem' devem ser corrigidos em mansidão (2 Tm 2:25). Tiago exorta seus 'amados irmãos' para receberem 'com mansidão a palavra […] enxertada' (Tg 1:21). Pedro ordena a 'mansidão' para apresentar a razão da esperança cristã (1 Pe 3:15 RC)”(extraído de Notes on Galatians, de Hogg e Vine, pp. 294, 295).

Como podemos ver, ao contrario do pesamento comum, a mansidão nada tem a ver com falta de animo, apatia, e muito menos com covardia. Mansidão é uma virtude tão necessárias em nossos dias. O nosso Mestre foi manso e devemos seguir seus passos:

“Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.” (Mateus 11:29 RA)

Há gloriosa promessa para os mansos:

“Mas os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz.” (Salmos 37:11 RA)
“Buscai o SENHOR, vós todos os mansos da terra, que cumpris o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; porventura, lograreis esconder-vos no dia da ira do SENHOR.” (Sofonias 2:3 RA)
“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.” (Mateus 5:5 RA)

Por isso somos exortados:

“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.” (Colossenses 3:12-14 RA)


Oração: Oh! Senhor, como precisamos ter um coração manso, e crer que todas as coisas são para o nosso bem, que nossa luta não é contra a carne. Pai, dá-nos pelo poder do teu Espirito a capacidade de manifestarmos a mansidão de Cristo, nosso cordeiro, e podermos embelezar nosso testemunho diante dos homens e glorificarmos o teu nome. Amém!

* Pusilanimidade = Falta de coragem; fraqueza de ânimo. (Sin.: covardia, frouxidão, poltroneria.)
* equanimidade = Ânimo inalterável, sempre igual, tanto na adversidade como nos bons momentos. Espírito sereno, equilibrado. Correção e imparcialidade.

Em Cristo,
Solimar Silva e Silva
solimarss@hotmail.com
Bibliografia: Dicionario Vine, Léxico grego de Strong, Biblia Sagrada(versões RA e RC).